domingo, 15 de fevereiro de 2015

Luz na música

Na semana passada fui a um concerto de música sinfónica (Sinfonia 9 de Mahler). Nos últimos anos já tinha observado que a música sinfónica já não me toca muito; tive agora a oportunidade de confirmar. Observo a beleza desta música, mas já não me comove, passa-me ao lado.
Esta falta de sensibilidade poderá estar relacionada com a minha evolução espiritual, em particular com a prática da meditação. Quando ouço música sinfónica, tenho a sensação que o compositor e os músicos que o interpretam estão à procura da Luz num sítio onde não há Luz, ou há muito pouca. Os outros espectadores também se incluem aqui, provavelmente.
Uma comparação vem-me à cabeça. Tenho a sensação de estar a observar uns trabalhadores que se esforçam imenso para apanhar fios infinimos de ouro que a água dum rio traz. É um trabalho esgotante para, no fim do dia, voltarem para a casa com um dedal cheio de pó de outro. Por outro lado, eu conheço, um pouco mais acima, uma mina onde pedaços enormes de ouro puro estão ao alcançe da mão. A abundância é tanta e os pedaços são tão grandes que nem sinto a necessidade de os levar para a casa. É daí, aliás, que a água do rio traz em permanência os fios infimos.
O mais bizarro é que, se eu tentar contar aos trabalhadores sobre a mina, a maior parte deles não acreditaria. Dir-me-íam "Deixa-nos em paz com as tuas fantasias. Não temos tempo a perder, quanto mais trabalharmos, mais ouro apanhamos."
A diferença entre o ouro e a Luz de que estou a falar é que a Luz pode ser, para muitas pessoas, difícil de ver. Sobretudo, intangível. Por isso, não faz sentido censurar as pessoas por não acreditarem (já estive desse lado e sei como é). Mas entristece-me.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Interstellar

Sempre gostei da ficção científica. Talvez por ser o mais perto possível do milagroso, da magia. E fico triste quando vejo que no cinema o estilo "ficção científica" está frequentemente associado ao estilo "terror". Gosto da ficção científica, mas não gosto da violência.
Está nos cinemas o filme "Interstellar", que achei interessante por várias razões :
1. Não é muito violento (raro hoje em dia encontrar um filme de ficção científica que não o seja).
2. Tem muita ciência à mistura com a acção. Tem mais fórmulas matemáticas do que qualquer outro filme que eu tenha visto. Não que eu tenha compreendido as fórmulas (o objectivo do filme não é este). Se alguém tiver curiosidade em perceber com que se parece um espaço com cinco dimensões, provavelmente não encontrará uma descrição visual mais certa do que neste filme.
3. Mostra, de maneira convincente, como a raça humana pode destruir o ecosistema do planeta Terra a ponto de o tornar não-habitável. Mas aqui tenho uma crítica. No filme, o meio abiente ficou de tal modo destruído que a produção agrícola está cada vez mais fraca, apesar de os humanos usarem tecnologia avançada para a agricultura. A raça humana corre o perigo de morrer a fome, no filme. Esta imagem não é, de todo, realista. O ecosistema terrestre está ameaçado, hoje, não num futuro distante, e o perigo que corremos não é ficarmos sem alimento. O perigo, real, actual, imediato, é que temos alimentos, em abundância e a preços cada vez mais baixos, só que a qualidade desses alimentos está a ficar, ano após ano, pior, a ponto de se tornarem prejudiciais para a saúde. A raça humana está, hoje em dia, e cada vez mais a medida que os anos passam, a envenenar-se a si própria. Uma das causas possíveis do declínio do império romano foi o envenenamento lento com particulas de chumbo, proveniente dos canos de água, fabricados em chumbo. O chumbo provoca uma doença chamada "saturnismo", que induz infertilidade nos homens. Hoje em dia, a história está a repetir-se. As pessoas estão sujeitas a um envenenamento lento, crónico, com pesticidas, herbicidas, adubos e outros produtos químicos usados na agricultura. Não provocam infertilidade, mas cancro.
4. Deixei para o fim o aspecto que mais gostei no filme. Tem a ver com anjos, ou seres de luz, ou seres superiores, ou extraterrestres, dependendo da óptica de cada pessoa. Há quem acredite que o ser humano é o exponente máximo da sabedoria, é o que o Universo de melhor produziu até agora, que não há seres que o superem. Nesta crença, os humanos estão "por conta própria", não faz sentido esperarem ou procurarem ajuda divina, pois não há nada acima da inteligência humana. Noutro extremo encontra-se a crença que o ser humano é totalmente insignificante face à sabedoria e ao poder de outros seres. Segundo a óptica de cada pessoa, esses seres superiores podem chamar-se anjos, mestres ascensos, Jesus, Buda, até extraterrestres, ou simplesmente seres de luz. Gostei de ver, no filme, a ideia que essas duas crenças extremas afinal não são tão contraditórias como parecem.

2015.03 : Entretanto encontrei este artigo. Afinal, parece que os pesticidas podem provocar infertilidade nos homens.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tónico de Aloe Arborescens

Começei há uns dias a desintoxicação a Base de Aloe. As pessoas quando ouvem perguntam : Aloe Vera ? Não, Aloe Arborescens, Aloe Vera é um mito. Aqui está muito bem esclarecido este assunto.

Sou eu que preparo o tónico de Aloe das minhas plantas queridas pelas quais desde sempre senti fascínio.Sinto-me lindamente. Sou muito grata a Curanatura que, para além de explicar os benefícios do tónico e de comercializar o tónico 100% natural a base de Aloe Arborescens, partilhou com generosidade a receita desse. Haver pessoas que não são movidas pelo desejo de ganhar dinheiro mas pela paixão da sua unicidade, encontrá-las e sermos tocados pela sua generosidade, encha-me de Luz. Obrigada.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dois gatinhos

A nossa família aumentou novamente. Encontrámos dois gatinhos abandonados nas imediações da nossa aldeia. Devem ter nascido há menos de um mês.


O que mais me impressiona talvez seja a dependência emocional extrema que cada um tem do outro. Por exemplo, quando os apanhámos (não foi fácil, pois tinham muito medo e escondiam-se entre as silvas), o momento em que mostraram mais aflição foi quando ficaram separados : apanhámos um deles, fechámo-no dentro duma caixa, e o outro veio imediatamente "salvá-lo". Mais tarde ficámos a saber que o primeiro apanhado era uma menina. O outro, um rapaz, não hesitou em enfrentar todos os perigos para tentar salvar a irmã. Quando ficaram ambos dentro da caixa, acalmaram-se logo. Tinham o ar de pensar seja o que for que nos venha a acontecer, pelo menos estamos juntos nisso.

Artigo relacionado : 2012.08.21 "Fiona".

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Não consigo ficar calada frente a campanha de pseudo-ajuda do tipo "Alimente um Animal com o OLX". Esta é uma forma mascarada de a OLX propagar a sua publicidade a um preço derisório. As pessoas têm medo de sentir, evitam encarar o sofrimento, e a OLX explora esse medo. Mais claramente, toda a gente sabe em que sofrimento vive a grande maioria de animais que convive connosco no planeta : os animais ditos domésticos a serem retirados das mães para se lhes administrar uma alimentação "científica" de rações e medicamentos, a viverem em instalações "especiais", sem espaço para se virarem, sem verem a luz do dia, à luz dumas lâmpadas que nunca se apagam para os estimularem a comer dia e noite para mais depressa terem peso suficiente para ir ao matadouro. Os animais de estimação que serviram de prenda o ano passado já cresceram e já não têm interesse. É fácil : deitam-se fora! Ao fim e ao cabo nada diz que estes sejam algo diferente do monte de camisolas que estão fora da moda. Toda a gente sabe disso teoricamente, mas não quer saber, ou seja não quer sentir esta realidade. Então aqui vai a OLX salvar-nos dessa "desagradável" realidade : fazendo cliques na OLX podem "alimentar" um animal. Que bom que existe a OLX, assim podemos andar mais uns tempos pondo de lado esta realiade incómoda e gabando-nos que "alimentámos" um animal. "E afinal é tão simples, basta fazer clique, amigos". Esta solidaridade mal entendida é de fato perversa, mas só consegue sê-lo com a nossa ajuda. O mesmo se passa com inúmeras campanhas de "ajuda". No Natal foi o fiambre Nobre que doou gramas de fiambre por cada clique, frequentemente nos centros comerciais deparamos com brindes contra cancro, e assim adiante. E porquê ? Porque não conseguimos olhar de frente os nossos medos. É mais facil tirar 2 euros da mala e comprar uma inutilidade para andar o resto do dia sem ter que pensar naquele medo, do que ir para a casa sentar numa cadeira e refletir sobre a parte que nos cabe a nós (e em nós) mudar.
Se a OLX, ou quem quer que seja, tiver interesse em ajudar animais, porque não doar desinteressadamente um montante ao seu alcance, ou, não tendo essa possibilidade, porque não fazer um dia de voluntariado num canil municipal, ou simplesmente, porque não adoptar um animal? Ao fim e ao cabo há sempre uma pequena parte que podemos fazer de verdade e que está ao nosso alcance. Fica aqui a foto da minha Fiona, que adoptei há dois anos : tinha milhares de carraças, estava velha, ferida e faminta. Agora está feliz.
A minha reação à campanha da OLX é óbvia : se eu precisar de vender ou comprar alguma coisa não vou usar a OLX. É assim que costumo manifestar a minha opinião : não dou crédito a quem não aprovo - não como carne, não uso cosméticos testados em animais, adoptei dois animais.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Eficiência energética

Ultimamente fala-se muito em eficiência energética, em energias limpas, mas ...

Apareceram carros eléctricos, uma ideia muito interessante. Mas usam exclusivamente energia retirada da rede eléctrica. Não compreendo porquê. Estes carros deveriam possuir um dínamo para, nas travagens, tranformarem a energia cinética do carro em energia eléctrica, carregando assim a bateria. Seria como travar com o motor (o que complementa, mas não dispensa, os outros travões, de disco).

Por outro lado, o tejadilho do carro deveria estar coberto de células fotovoltaicas, para fornecer energia eléctrica e assim carregar a bateria. Não só em andamento, mas também, e sobretudo, quando o carro fica estacionado. No verão, é costume os condutores procurarem um lugar sombreado para arrumar o carro. Pois bem, os condutores dos carros eléctricos prefereriam um lugar ao sol. Mais : o carro podia trazer um painel solar suplementar, desmontável ou desdobrável, para proteger o pára-brisas da luz solar enquanto o carro se encontrasse estacionado, evitando assim o aquecimento excessivo do interior do carro e ao mesmo tempo fornecendo mais energia eléctrica para carregar a bateria.

As duas fontes de energia acima mencionadas não substituiríam a opção de carregar a bateria a partir da rede eléctrica, seriam apenas um complemento. Mas, no verão, tendo em vista as características do clima português, as células fotovoltaicas aumentariam imenso a autonomia do veículo, dispensando talvez a carga a partir da rede eléctrica.

Há também bicicletas eléctricas, e são muito engraçadas. A ideia do painel solar não se aplica a uma bicicleta, mas um dínamo de certeza poderiam trazer. Espero sinceramente que, no futuro próximo, apareçam bicicletas eléctricas em que o utilizador limita-se a regular a velocidade desejada e a pedalar. A bicicleta irá gastar energia da bateria quando for preciso (por exemplo, numa subida), e irá armazenar energia na bateria quando houver excedente de energia cinética (por exemplo, numa descida). O esforço do utilizador a pedalar poderá também ser convertido em energia eléctrica. Ver este artigo.

Meio a sério, meio a brincar : um carro eléctrico também podia ter pedais que transformassem o esforço muscular em energia eléctrica, e não apenas para o condutor, mas também para os passageiros. Esta sugestão traz-lhe à memória uma imagem conhecida ? Pois é, a ideia não é nova, já os Flinstones a aplicavam ...

domingo, 4 de maio de 2014

Flores




Viver no campo tem vantagens e tem desvantagens.

Uma das partes mais giras do campo é a proximidade da natureza. Em praticamente todas as épocas do ano, mas na primavera mais ainda, abundam as flores e os perfumes à nossa volta. Tenho recolhido flores de laranjeira, de madre-silva, pétalas de rosas. Ponho em saquinhos de tecido (compram-se em qualquer bazar, são baratíssimos) e deixo os saquinhos nas gavetas onde guardamos roupa. Assim, a nossa roupa fica impregnada com o cheiro das flores ...

Acrescentado em 2015.04 : As folhas de eucalipto são um exemplo particularmente interessante. São muito fáceis de obter. Coloco-as num saquinho de tecido e deixo-as na gaveta. As glândulas que produzem os óleos voláteis estão no interior da folha de eucalipto, pelo que o cheiro é libertado só nas roturas da folha (a folha inteira quase não tem cheiro). Então, cada vez que mexo na gaveta, esfrego as folhas um bocadinho para as partir mais um pouco. Assim, elas produzem um cheiro agradável durante muito tempo.