sexta-feira, 29 de maio de 2015

Introdução

Neste blogue, Anca-Maria e Cristian partilham as suas experiências de permacultura no terreno gentilmente cedido por Hermínio ... mas não só.

Tudo começou em Abril 2012 quando tirámos um curso de introdução à permacultura, com a Biovilla, e, quase em simultâneo, conhecemos o Hermínio que generosamente nos cedeu o uso duma faixa de terreno, num vale a 5km da nossa casa (algures entre Santarém e Rio Maior), para aplicarmos os conhecimentos recentemente adquiridos. Desde então temos publicado aqui notícias sobre as nossas (perma)culturas, abordando igualmente outros assuntos como a eficiência energética, assuntos filosóficos ou espirituais, eventos astronómicos ou mesmo assuntos de natureza mais pessoal.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Crítica às camas elevadas

Há quem diga que a permacultura em camas elevadas não é rentável. A minha experiência aponta também um pouco nesta direcção.
A cama é um montinho de terra. Como é normal, uma elevação seca primeiro, antes do solo subjacente, por um lado porque a água desce com a gravidade pelos poros da terra, por outro lado porque a elevação apanha com mais vento do que o terreno. Claro que a palha diminui um pouco este problema, ajudando a manter a humidade mais um pouco. Mas não me parece suficiente. É sempre necessário regar bastante. Acrescento o pormenor que a água da rega escorre muitas vezes da cama abaixo
E a palha representa um problema em si. Primeiro, a palha custa dinheiro (nem todas as pessoas têm a sorte que nós temos em receber a palha de graça). Depois, custa esforço transportá-la e colocá-la nas camas. O vento espalha-a, temos que pô-la de volta. Também dificulta um pouco o acto de semear.
Resumindo, começo a pensar que, no verão, as camas elevadas não compesam muito. No inverno sim, acho que valem a pena. Mas no verão talvez devamos pensar em procurar a solução oposta, rebaixar o solo em vez de subí-lo. Ver esta mensagem.

sábado, 2 de maio de 2015

Agricultura sem rega ?

Os antigos egípcios praticavam uma agricultura em sintonia com a natureza, em particular com o ritmo de vida do rio Nilo. O Nilo inunda todos os anos as suas margens, e todos os anos os egípcios esperavam pela retirada das suas águas para semear no lodo. No resto do ano, não tinham o que fazer e o único passa-tempo era participar em concursos do tipo "quem constrói a pirâmide mais alta".

Metade do nosso terreno fica numa várzea (aliás, o terreno acaba mesmo no riacho). Nessa zona, a humidade subterrânea fica, no verão, a cerca de meio-metro de profundidade. No inverno, qualquer rego ou buraco fica completamente cheio de água (quando não é o terreno todo).

regueira inundada
Num artigo mais antigo, exprimia a minha frustração por termos que regar, apesar de a água estar tão perto. Ainda não desisti de tentar fazer agricultura sem rega. A ideia é abrir sulcos (tipo regueiras) no fundo dos quais haverá humidade, mesmo no verão. E semear lá.

cavando

cavando ainda

semeando
permacultor feliz

Isso dá muito trabalho !
Dá algum trabalho no início. Se soubermos escolher bem a altura quando a terra tem a consistência certa, cavar não é tão difícil. Em contrapartida, depois de semear não há mais trabalho a fazer : nem regar, nem mondar, nem cobrir com palha. Só na próxima primavera intenciono entrar outra vez na regueira, para cavar mais um bocado e semear novamente.

Isto vai funcionar ?
Pois, é isso que eu também quero ver. Dentro de dois ou três meses poderei dar uma resposta. Comigo, prognósticos - só mesmo depois de o jogo acabar.

Como circulamos na regueria ?
Não é possível andar dentro, não há espaço, pisaríamos as plantas. Precisamente por isso digo que não intenciono mondar. A partir de agora, o único trabalho será (espero eu) colher os legumes.

Como apanhar os legumes se não podemos entrar na regueira ?
As plantas, quando muito pequenas ainda, vão ter sombra devido às paredes da regueira (que está orientada este-oeste e tem a margem sul mais alta). Ao crescerem, as plantas vão procurar a luz e vão subir. Os legumes serão colhidos de fora, sem entrar na regueira.

Então não podemos cultivar assim qualquer planta ?
Não. Só podem ser cultivadas assim plantas que sobem e cujos frutos ficam bem acima do solo, para os podermos apanhar sem entrarmos na regueira. Ficam excluídas, por exemplo, batatas, cenouras, cebolas e afins. Mesmo as alfaces não convêm. O que se dá bem (espero eu) numa regueira assim são tomates, pimentos, pepinos, milho, feijão, abóbora, melancia.

Só plantas anuais ?
Só plantas anuais. No inverno, a regueira vai ficar inundada e todas as plantas vão morrer. É uma questão de semear novamente (ou plantar plantículas) na primavera, quando as águas voltarem a descer.

Acrescentado em Outurbo 2015 : A ideia não funcionou. No verão, o fundo do rego secou completamente e as plantas não se desenvolveram. Talvez tenha que cavar mais fundo ? Por outro lado, também é verdade que este ano foi mais seco do que o costume.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lixo orgânico

Experimentei "reciclar" os lixos orgânicos de duas maneiras. Nesta mensagem, contei como enterrávamos os lixos directamente. Numa mensagem mais recente, relatei a construção dum compostor. Eis uma comparação entre os dois métodos.

Enterrar o lixo orgânico significa o seguinte. Escolho um sítio para uma futura cama elevada (ou uma cama já existente, mas que pretendo elevar mais). Vou deitando o lixo no sítio, por cima das ervas existentes. Após alguns meses, quando achar que já chega, cubro o sítio com terra e depois com palha, como habitualmente.

Quanto á compostagem, o meu compostor é em plástico e não toca na terra (está suspenso). Isto facilita a extração do composto final, mas por outro lado impede a circulação da fauna entre o solo e o composto. O processo de degradação das matérias orgânicas envolve vários bichos (bactérias, fungos, minhocas, insectos). É uma fauna específica, alguns desses seres não se encontram no solo "normal". Como o meu compostor não comunica com o solo, tenho que assegurar-me que possui a fauna necessária. Quando inaugurei o compostor, enchi-o de matéria orgânica que já tinha estado em contacto com o solo durante alguns meses, por isso já devia trazer bastantes bichos. Para além disso, sempre quando encontro uma minhoca, ponho-a no compostor. Mesmo assim, segundo percebi, as minhocas que fazem a compostagem eficazmente não são aquelas que eu encontro no solo "normal", são uma espécie de minhocas mais finas. Vou pedir a alguém que me traga algumas, ou então comprarei. Em contraste, enterrar o lixo não requer nenhum cuidado com a fauna, uma vez que esse lixo fica em contacto com o solo e os bichos circulam livremente.

Quando fazemos compostagem, tem que haver um equilíbrio entre materia verde e restos de comida, por um lado, e madeira e folhas secas, por outro lado. Os primeiros são ricos em azoto, os segundos não, pelo contrário, a sua decomposição consome azoto. Para além disso, só podemos pôr ramos de arvores até à grossura dum dedo, e cortados em pedaços pequenos. Portanto, os ramos maiores guardo-os para os enterrar nas camas. Em contraste, enterrar o lixo não requer este género de cuidados. Ponho lá (quase) qualquer lixo, uma vez que irá ficar enterrado nos próximos anos.

Mas, precisamente por isso, uma cama feita assim não fica logo produtiva. No início, com os lixos ainda não degradados, o ambiente no interior da cama não é muito propício às plantas. Até poderá ser prejudicial às raízes, pois a fauna que consome os lixos poderá também atacar as raízes. Só passados alguns bons meses, ou mesmo um ano, é que o lixo transformar-se-á em estrume e a cama ficará mais produtiva. Em contraste, o que tiramos do compostor é estrume pronto a ser usado.

Dá algum trabalho retirar o estrume do compostor e levá-lo para onde queremos cultivar as nossas plantas. Em contraste, uma cama já não dá trabalho nenhum depois de feita, fica lá à espera de ser usada.

Notas sobre os lixos "aceitáveis" :

  • Claro que estão excluídos plástico, metal, vidro. 
  • Papel podemos compostar, mas com algum cuidado. O papel das revistas, por exemplo, ou qualquer papel brilhante, não deve ser usado, pois contém muitos aditivos (tintas, resinas). Mesmo a tinta dos jornais pode chegar a ser prejudicial se houver muita quantidade. No compostor, só ponho algum guardanapo esporadicamente. Nas camas podemos enterrar papel normal e cartolinas. 
  • As cascas de citrinos são um problema, pois contêm substâncias anti-sépticas e prejudicam a fauna. Ponho no compostor só depois de usado, por exemplo, na cozinha, ou no banho, juntamente com sais. Nas camas o problema não é tão grave.
  • As cinzas podem ser usadas na compostagem, mas em pouca quantidade e bem espalhadas. As cinzas são muito alcalinas e, em concentração elevada, prejudicam seriamente os seres vivos. Se não souber o que fazer às cinzas, espalhe nos carreiros ou em qualquer sítio onde não quer plantas a crescer. 
  • A carne é de evitar no compostor, pois não se degrada suficientemente rápido. O composto é suposto estar pronto após 4-6 meses, e a carne poderá não ficar degradada neste tempo. O mesmo se aplica às fezes. Depois de 4-6 meses, as fezes ainda não ficam suficientemente degradadas e não queremos manipular composto com fezes (podem ainda conter muitos agentes patogénicos). Tanto a carne como as fezes podem ser enterradas nas camas sem problemas, sobretudo se não intencionamos remexer aquele solo nos próximos dois ou três anos. Não convém, por exemplo, para camas destinadas ao cultivo de batatas ou cebolas ou cenouras.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Construção dum compostor


Os nossos amigos Lurdes e Quim-Zé ofereceram-nos ...

um barril em plástico azul.
Deve ter contido algum dos muitos venenos usados na agricultura química :


O primeiro passo foi cortar-lhe o fundo, com uma serra eléctrica pica-pau.


Depois, lavámo-lo muito bem. Depois, cortámos uma abertura em baixo, por onde será retirado o estrume.

Metade dum balde de plástico segurará o estrume.

O fundo será usado como tampa, mas para isso tivemos que alargar uma parte e estreitar a outra

com o maçarico
ou dando pequenos cortes

ou usando força bruta
O composto precisa de respirar, pelo que tive que dar montes de furos


O compostor ficará em cima duma base, a cerca de 30cm do chão.

Seis garrafões cheios de areia formam a base.
Finalmente, instalado ...

e já cheio.
Agora é só esperar que os bichos façam a sua parte.

domingo, 15 de março de 2015

Calcar ervas

Cortando as ervas com a gadanha
Até agora, eu conhecia duas maneiras de lidas com as ervas daninhas : arrancá-las (mondar) ou cortá-las. Estou agora a experimentar calcá-las.

Cama elevada, em preparação
Por exemplo, tenho uma cama invadida completamente por ervas, já grandes. Em vez de arrancá-las ou cortá-las, ponho simplesmente troncos de madeira em cima das ervas, comprimindo-as. Depois, irei tapar tudo com terra, depois com palha, como habitualmente.

Mesmo em terreno plano, já experimentei calcar as ervas. A ideia nem sequer é nova :

Isso deve ter sido feito pelos javalis.
Os javalis usam a própria barriga, mas eu uso um cilindro pesado (um tronco).

Com o tronco às costas
Após a construção dum "atrelado"
Passo com o tronco pelo terreno, fazendo-o rebolar. Forma-se uma camada de ervas entrelaçadas. A maioria acabam por morrer e apodrecem lentamente. O acto de semear fica um pouco mais difícil, pois tenho que rasgar esse entrelaçado de ervas para chegar à terra para semear.

Para semear, tenho que abrir buracos na camada vegetal.

Depois de tanto trabalho ...

um merecido descanso.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Facebook revisitado

Há algum tempo escrevi um pequeno texto sobre o Facebook. Entretanto tenho usado bastante o Facebook, aprendi algumas coisas que não sabia e percebi que algumas das minhas críticas não estavam correctas.
Percebi que, quando partilhamos um link ou uma imagem na nossa cronologia, temos a possibilidade de acrescentar um comentário nosso. Mas mantenho a outra crítica : num pedido de amizade, a interface Facebook não nos oferece a possibilidade de acrescentar um comentário explicativo. Claro que podemos enviar logo a seguir uma mensagem explicativa, mas quase ninguém faz isso porque o Facebook não tem esta facilidade incorporada no pedido de amizade.
Agora que tenho muitos amigos (50 para mim já é muito) descubro novos problemas. Na minha cronologia há demasiadas mensagens. Alguns dos meus amigos publicam várias mensagens por dia, e tudo somado é demasiado para eu seguir. Tive que "calar" alguns deles, dizendo ao facebook que não os quero seguir mais. E tive pena de fazer isso, pois eles até publicam de vez em quando mensagens interessantes, mas inundam-me com muitas outras não tão interessantes.
Depois, coloquei o problema ao contrário. Pergunto-me quais dos meus amigos ainda me seguem e quais já me "calaram". Eu também ponho bastantes coisas na minha cronologia. Ainda por cima, tenho o problema da língua. Tenho amigos que só falam português, outros que só falam inglês, outros que falam romeno e inglês, outros que falam português e inglês. Quando publico uma mensagem em português, os que não percebem português não deveriam recebê-la, e quando coloco uma mensagem em inglês, os que não percebem inglês não deveriam recebê-la. Eu também não gostaria de reber mensagens numa língua que não percebo. E, para além das barreiras linguísticas, há os assuntos. Nem todos estão interessados em permacultura e sustentabilidade, nem todos estão virados para a meditação e a espiritualidade, e assim por diante.
O Facebook tem a possibilidade de criar listas e de partilhar certas mensagens apenas com as pessoas duma lista. As listas pre-definidas (amigos chegados, família, pessoas que moram em Lisboa) não chegam nem de perto nem de longe. Assim, criei uma lista de lusófonos, outra para romeno e outra para inglês. Se as coisas correrem como eu quero, partilharei esta mensagem apenas com amigos lusófonos. Separar por assunto fica para mais tarde. Existem no facebook umas coisas chamadas "listas de interesse", deve ser por aí.
Davam jeito umas operações lógicas entre conjuntos : intersecção, união, diferença. Mas já estou a sonhar muito alto ...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Lua, Vénus, Marte, Júpiter

Ultimamente, Vénus e Marte encontram-se muito próximos, no céu. Uranus não está muito longe, mas é difícil de ver. Hoje sexta-feira a Lua nova vai passar perto deles. Vejam o céu, na direcção poente, ao pôr do sol. Na direcção contrária, nascente, poderão ver o Júpiter majestoso (também Sírius e Orionte).

Artigos relacionados : 2014.12.02 "Lua e Vénus", 2013.01.13 "Lua nova", 2012.09.14 "Duas teorias" (comentários sobre a importância duma noite escura)
Outros links úteis : www.fourmilab.ch/yoursky/ é um planetário virtual onde podemos ver o aspecto do céu para qualquer data, hora e local de observação.

Acrescentado em 2015.03.02. As condições meteorológicas não foram propícias às observações astronómicas, pelo menos em Portugal. François Jouve enviou-me uma fotografia onde podemos Vénus e Marte (a Lua deve estar escondida atrás da rocha).
20/02/2015 18:44 45.3737N 7.0518E algures entre Grenoble (França) e Turin (Itália)

Alguém no Colorado (EUA) conseguiu tirar uma fotografia mais completa.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Luz na música

Na semana passada fui a um concerto de música sinfónica (Sinfonia 9 de Mahler). Nos últimos anos já tinha observado que a música sinfónica já não me toca muito; tive agora a oportunidade de confirmar. Observo a beleza desta música, mas já não me comove, passa-me ao lado.
Esta falta de sensibilidade poderá estar relacionada com a minha evolução espiritual, em particular com a prática da meditação. Quando ouço música sinfónica, tenho a sensação que o compositor e os músicos que o interpretam estão à procura da Luz num sítio onde não há Luz, ou há muito pouca. Os outros espectadores também se incluem aqui, provavelmente.
Uma comparação vem-me à cabeça. Tenho a sensação de estar a observar uns trabalhadores que se esforçam imenso para apanhar fios infinimos de ouro que a água dum rio traz. É um trabalho esgotante para, no fim do dia, voltarem para a casa com um dedal cheio de pó de outro. Por outro lado, eu conheço, um pouco mais acima, uma mina onde pedaços enormes de ouro puro estão ao alcançe da mão. A abundância é tanta e os pedaços são tão grandes que nem sinto a necessidade de os levar para a casa. É daí, aliás, que a água do rio traz em permanência os fios infimos.
O mais bizarro é que, se eu tentar contar aos trabalhadores sobre a mina, a maior parte deles não acreditaria. Dir-me-íam "Deixa-nos em paz com as tuas fantasias. Não temos tempo a perder, quanto mais trabalharmos, mais ouro apanhamos."
A diferença entre o ouro e a Luz de que estou a falar é que a Luz pode ser, para muitas pessoas, difícil de ver. Sobretudo, intangível. Por isso, não faz sentido censurar as pessoas por não acreditarem (já estive desse lado e sei como é). Mas entristece-me.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Interstellar

Sempre gostei da ficção científica. Talvez por ser o mais perto possível do milagroso, da magia. E fico triste quando vejo que no cinema o estilo "ficção científica" está frequentemente associado ao estilo "terror". Gosto da ficção científica, mas não gosto da violência.
Está nos cinemas o filme "Interstellar", que achei interessante por várias razões :
1. Não é muito violento (raro hoje em dia encontrar um filme de ficção científica que não o seja).
2. Tem muita ciência à mistura com a acção. Tem mais fórmulas matemáticas do que qualquer outro filme que eu tenha visto. Não que eu tenha compreendido as fórmulas (o objectivo do filme não é este). Se alguém tiver curiosidade em perceber com que se parece um espaço com cinco dimensões, provavelmente não encontrará uma descrição visual mais certa do que neste filme.
3. Mostra, de maneira convincente, como a raça humana pode destruir o ecosistema do planeta Terra a ponto de o tornar não-habitável. Mas aqui tenho uma crítica. No filme, o meio abiente ficou de tal modo destruído que a produção agrícola está cada vez mais fraca, apesar de os humanos usarem tecnologia avançada para a agricultura. A raça humana corre o perigo de morrer a fome, no filme. Esta imagem não é, de todo, realista. O ecosistema terrestre está ameaçado, hoje, não num futuro distante, e o perigo que corremos não é ficarmos sem alimento. O perigo, real, actual, imediato, é que temos alimentos, em abundância e a preços cada vez mais baixos, só que a qualidade desses alimentos está a ficar, ano após ano, pior, a ponto de se tornarem prejudiciais para a saúde. A raça humana está, hoje em dia, e cada vez mais a medida que os anos passam, a envenenar-se a si própria. Uma das causas possíveis do declínio do império romano foi o envenenamento lento com particulas de chumbo, proveniente dos canos de água, fabricados em chumbo. O chumbo provoca uma doença chamada "saturnismo", que induz infertilidade nos homens. Hoje em dia, a história está a repetir-se. As pessoas estão sujeitas a um envenenamento lento, crónico, com pesticidas, herbicidas, adubos e outros produtos químicos usados na agricultura. Não provocam infertilidade, mas cancro.
4. Deixei para o fim o aspecto que mais gostei no filme. Tem a ver com anjos, ou seres de luz, ou seres superiores, ou extraterrestres, dependendo da óptica de cada pessoa. Há quem acredite que o ser humano é o exponente máximo da sabedoria, é o que o Universo de melhor produziu até agora, que não há seres que o superem. Nesta crença, os humanos estão "por conta própria", não faz sentido esperarem ou procurarem ajuda divina, pois não há nada acima da inteligência humana. Noutro extremo encontra-se a crença que o ser humano é totalmente insignificante face à sabedoria e ao poder de outros seres. Segundo a óptica de cada pessoa, esses seres superiores podem chamar-se anjos, mestres ascensos, Jesus, Buda, até extraterrestres, ou simplesmente seres de luz. Gostei de ver, no filme, a ideia que essas duas crenças extremas afinal não são tão contraditórias como parecem.

2015.03 : Entretanto encontrei este artigo. Afinal, parece que os pesticidas podem provocar infertilidade nos homens.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tónico de Aloe Arborescens

Começei há uns dias a desintoxicação a Base de Aloe. As pessoas quando ouvem perguntam : Aloe Vera ? Não, Aloe Arborescens, Aloe Vera é um mito. Aqui está muito bem esclarecido este assunto.

Sou eu que preparo o tónico de Aloe das minhas plantas queridas pelas quais desde sempre senti fascínio.Sinto-me lindamente. Sou muito grata a Curanatura que, para além de explicar os benefícios do tónico e de comercializar o tónico 100% natural a base de Aloe Arborescens, partilhou com generosidade a receita desse. Haver pessoas que não são movidas pelo desejo de ganhar dinheiro mas pela paixão da sua unicidade, encontrá-las e sermos tocados pela sua generosidade, encha-me de Luz. Obrigada.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dois gatinhos

A nossa família aumentou novamente. Encontrámos dois gatinhos abandonados nas imediações da nossa aldeia. Devem ter nascido há menos de um mês.


O que mais me impressiona talvez seja a dependência emocional extrema que cada um tem do outro. Por exemplo, quando os apanhámos (não foi fácil, pois tinham muito medo e escondiam-se entre as silvas), o momento em que mostraram mais aflição foi quando ficaram separados : apanhámos um deles, fechámo-no dentro duma caixa, e o outro veio imediatamente "salvá-lo". Mais tarde ficámos a saber que o primeiro apanhado era uma menina. O outro, um rapaz, não hesitou em enfrentar todos os perigos para tentar salvar a irmã. Quando ficaram ambos dentro da caixa, acalmaram-se logo. Tinham o ar de pensar seja o que for que nos venha a acontecer, pelo menos estamos juntos nisso.

Artigo relacionado : 2012.08.21 "Fiona".

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Não consigo ficar calada frente a campanha de pseudo-ajuda do tipo "Alimente um Animal com o OLX". Esta é uma forma mascarada de a OLX propagar a sua publicidade a um preço derisório. As pessoas têm medo de sentir, evitam encarar o sofrimento, e a OLX explora esse medo. Mais claramente, toda a gente sabe em que sofrimento vive a grande maioria de animais que convive connosco no planeta : os animais ditos domésticos a serem retirados das mães para se lhes administrar uma alimentação "científica" de rações e medicamentos, a viverem em instalações "especiais", sem espaço para se virarem, sem verem a luz do dia, à luz dumas lâmpadas que nunca se apagam para os estimularem a comer dia e noite para mais depressa terem peso suficiente para ir ao matadouro. Os animais de estimação que serviram de prenda o ano passado já cresceram e já não têm interesse. É fácil : deitam-se fora! Ao fim e ao cabo nada diz que estes sejam algo diferente do monte de camisolas que estão fora da moda. Toda a gente sabe disso teoricamente, mas não quer saber, ou seja não quer sentir esta realidade. Então aqui vai a OLX salvar-nos dessa "desagradável" realidade : fazendo cliques na OLX podem "alimentar" um animal. Que bom que existe a OLX, assim podemos andar mais uns tempos pondo de lado esta realiade incómoda e gabando-nos que "alimentámos" um animal. "E afinal é tão simples, basta fazer clique, amigos". Esta solidaridade mal entendida é de fato perversa, mas só consegue sê-lo com a nossa ajuda. O mesmo se passa com inúmeras campanhas de "ajuda". No Natal foi o fiambre Nobre que doou gramas de fiambre por cada clique, frequentemente nos centros comerciais deparamos com brindes contra cancro, e assim adiante. E porquê ? Porque não conseguimos olhar de frente os nossos medos. É mais facil tirar 2 euros da mala e comprar uma inutilidade para andar o resto do dia sem ter que pensar naquele medo, do que ir para a casa sentar numa cadeira e refletir sobre a parte que nos cabe a nós (e em nós) mudar.
Se a OLX, ou quem quer que seja, tiver interesse em ajudar animais, porque não doar desinteressadamente um montante ao seu alcance, ou, não tendo essa possibilidade, porque não fazer um dia de voluntariado num canil municipal, ou simplesmente, porque não adoptar um animal? Ao fim e ao cabo há sempre uma pequena parte que podemos fazer de verdade e que está ao nosso alcance. Fica aqui a foto da minha Fiona, que adoptei há dois anos : tinha milhares de carraças, estava velha, ferida e faminta. Agora está feliz.
A minha reação à campanha da OLX é óbvia : se eu precisar de vender ou comprar alguma coisa não vou usar a OLX. É assim que costumo manifestar a minha opinião : não dou crédito a quem não aprovo - não como carne, não uso cosméticos testados em animais, adoptei dois animais.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Eficiência energética

Ultimamente fala-se muito em eficiência energética, em energias limpas, mas ...

Apareceram carros eléctricos, uma ideia muito interessante. Mas usam exclusivamente energia retirada da rede eléctrica. Não compreendo porquê. Estes carros deveriam possuir um dínamo para, nas travagens, tranformarem a energia cinética do carro em energia eléctrica, carregando assim a bateria. Seria como travar com o motor (o que complementa, mas não dispensa, os outros travões, de disco).

Por outro lado, o tejadilho do carro deveria estar coberto de células fotovoltaicas, para fornecer energia eléctrica e assim carregar a bateria. Não só em andamento, mas também, e sobretudo, quando o carro fica estacionado. No verão, é costume os condutores procurarem um lugar sombreado para arrumar o carro. Pois bem, os condutores dos carros eléctricos prefereriam um lugar ao sol. Mais : o carro podia trazer um painel solar suplementar, desmontável ou desdobrável, para proteger o pára-brisas da luz solar enquanto o carro se encontrasse estacionado, evitando assim o aquecimento excessivo do interior do carro e ao mesmo tempo fornecendo mais energia eléctrica para carregar a bateria.

As duas fontes de energia acima mencionadas não substituiríam a opção de carregar a bateria a partir da rede eléctrica, seriam apenas um complemento. Mas, no verão, tendo em vista as características do clima português, as células fotovoltaicas aumentariam imenso a autonomia do veículo, dispensando talvez a carga a partir da rede eléctrica.

Há também bicicletas eléctricas, e são muito engraçadas. A ideia do painel solar não se aplica a uma bicicleta, mas um dínamo de certeza poderiam trazer. Espero sinceramente que, no futuro próximo, apareçam bicicletas eléctricas em que o utilizador limita-se a regular a velocidade desejada e a pedalar. A bicicleta irá gastar energia da bateria quando for preciso (por exemplo, numa subida), e irá armazenar energia na bateria quando houver excedente de energia cinética (por exemplo, numa descida). O esforço do utilizador a pedalar poderá também ser convertido em energia eléctrica. Ver este artigo.

Meio a sério, meio a brincar : um carro eléctrico também podia ter pedais que transformassem o esforço muscular em energia eléctrica, e não apenas para o condutor, mas também para os passageiros. Esta sugestão traz-lhe à memória uma imagem conhecida ? Pois é, a ideia não é nova, já os Flinstones a aplicavam ...

domingo, 4 de maio de 2014

Flores




Viver no campo tem vantagens e tem desvantagens.

Uma das partes mais giras do campo é a proximidade da natureza. Em praticamente todas as épocas do ano, mas na primavera mais ainda, abundam as flores e os perfumes à nossa volta. Tenho recolhido flores de laranjeira, de madre-silva, pétalas de rosas. Ponho em saquinhos de tecido (compram-se em qualquer bazar, são baratíssimos) e deixo os saquinhos nas gavetas onde guardamos roupa. Assim, a nossa roupa fica impregnada com o cheiro das flores ...

Acrescentado em 2015.04 : As folhas de eucalipto são um exemplo particularmente interessante. São muito fáceis de obter. Coloco-as num saquinho de tecido e deixo-as na gaveta. As glândulas que produzem os óleos voláteis estão no interior da folha de eucalipto, pelo que o cheiro é libertado só nas roturas da folha (a folha inteira quase não tem cheiro). Então, cada vez que mexo na gaveta, esfrego as folhas um bocadinho para as partir mais um pouco. Assim, elas produzem um cheiro agradável durante muito tempo.

sábado, 3 de maio de 2014

Facebook

Tenho tentado perceber porque é que não gosto de usar o Facebook (ou a Facebook?) Acho que já percebi.

1. É um clube fechado. Só consegue aceder àquela informação quem estiver dentro do clube Facebook. Em contraste, a informação que eu ponho neste blog está à disposição de qualquer pessoa com uma ligação à internet.

2. Ao contrário do que o cidadão comum pensa, a Facebook não incentiva o contacto inter-humano, nem o diálogo verdadeiro. O que a Facebook incentiva é fazer "click" sobre botões pre-definidos. Por exemplo, recebo por vezes pedidos de amizade mas tenho que me esforçar para identificar a pessoa que me enviou o pedido (o que às vezes é fácil, outras vezes não). Isso porque os pedidos de amizade não chegam acompanhados por um texto do tipo "Olá, eu sou o fulano tal, conhecemo-nos há vinte anos, andámos na mesma escola" (ou "conhecemo-nos há vinte minutos, no bar da esquina"). A Facebook incentiva as pessoas a fazer "click" num botão em vez de usar palavras para comunicar com a pessoa que pretendem contactar. O mesmo acontece com os convites para gostar duma foto ou dum vídeo : em vez de escrever uma curta mensagem do tip "Olha, encontrei este vídeo, lembrei-me que era capaz de interessar-te, pois tem a ver com o tal assunto que sei que te apaixona", o utilizador limita-se a fazer um "click".

Poucos dias depois de publicar esta mensagem, Anca-Maria mostrou-me um vídeo que ilustra as mesmas ideias : http://www.youtube.com/watch?v=_g6UCRotZfg Vale a pena ver.

Primavera

As nossas (perma)culturas têm estado um bocadinho paradas, por várias razões. Por um lado, foram as obras em casa (finalmente, acabaram). Por outro lado, choveu tanto que não apetecia muito ir à horta. Aliás, estava tudo encharcado (algumas zonas alagadas); depois, o tempo aqueceu e de repente já se nota a necessidade de rega. Outra razão foi a operação da Fiona (ela foi esterilizada, agora está convalescente).
Quando vamos ao terreno agora, a principal prioridade é limpar as ervas daninhas que entretanto invadiram tudo. Tivemos que arranjar uma roçadora para este efeito (cortar tudo com a gadanha seria muito cansativo).

sábado, 28 de dezembro de 2013

Lua e Vénus

A Lua passou muito perto de Vénus nos dias 1, 2 e 3 de Janeiro, a seguir ao pôr do sol.

Se quiser receber por e-mail avisos sobre eventos semelhantes, envie uma mensagem com o assunto "aderir astronomia" para cristian.barbarosie@gmail.com (ou assunto "subscribe astronomy" para informação em inglês).

Já referi, numa mensagem anterior, o site http://www.fourmilab.ch/yoursky/ Entretanto encontrei outro planetário virtual : http://www.skymaponline.net/
Outro site interessante é http://www.heavens-above.com/, onde são divulgadas as horas e coordenadas de passagem pelo céu dos satélites artificiais da Terra. Especial destaque merecem os Iridum Flares, satélites cuja luminosidade varia, por vezes dando a impressão de flashes fotográficos, e a ISS, estação espacial internacional, cuja luminosidade rivala com o planeta Júpiter.

Ao contrário do que aconteceu em Dezembro, o céu esteve muito nublado ao início de Janeiro, pelo que não consegui tirar nenhuma foto. Também não recebi fotos de outros locais.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Lua e Vénus

Nos dias 4 e 5 de Dezembro, a Lua passou perto de Vénus. Foi uma imagem bonita. Coloco aqui algumas fotos.
Foto tirada por Cristian Barbarosie em 4 de Dezembro às 18:00 na Vila da Marmeleira
Foto tirada por Cristian Barbarosie em 5 de Dezembro às 17:45 na Vila da Marmeleira

Foto tirada por François Jouve em 6 de Dezembro às 17:35 em Paris

Três fotos tiradas por Gonçalo Pinto Rodrigues em 6 de Dezembro às 18:40 em Lisboa :






Se quiser receber avisos para eventos semelhantes, envie uma mensagem com o assunto "aderir astronomia" para cristian.barbarosie@gmail.com
Artigos relacionados : 2013.01.13 "Lua nova", 2012.09.14 "Duas teorias" (comentários sobre a importância duma noite escura)
Outros links úteis : www.fourmilab.ch/yoursky/ é um planetário virtual onde podemos ver o aspecto do céu para qualquer data, hora e local de observação.

sábado, 30 de novembro de 2013

Forno com queima eficiente






O forno a lenha para aquecimento da adega já está completo e funcional.
Descrição sucinta : http://goo.gl/qVtlF4
Foto-reportagem sobre o processo de construção : http://goo.gl/DNIiNW
Considerações teóricas :  http://goo.gl/a8Zr6